domingo, 10 de fevereiro de 2013

Filme: Brilho Eterno de uma Mente Sem Lembranças


Gênero: Romance Inteligente 
Roteiro: Charlie Kaufman
Data de lançamento: 19 de março de 2004

Resenha: Um filme que instiga você a se perguntar se é o roteiro que tem a pretensão de confundir, ou se é você quem está confundindo. E como toda duvida, a história nos embala em uma ansiosa resposta. Levando-nos a acompanhar até o final com os olhos vidrados. E assim como todos os livros e filmes, Eternal Sunshine of the Spotless Mind de Charles Kaufman, não deixou a desejar e venceu o Oscar em 2005. Por sua interação com o telespectador em fazê-lo unir as cenas do filme com as suas próprias lembranças e notar o quanto isso é valioso. E eu confesso que fui vitima.

É uma interessante psicológica maneira de nos fazer apreciar a importância de nossa memória, ela, a nossa identidade. Mas também cutuca essa possibilidade de softwares poderem apagar algo que não gostaríamos de ter na mente. E podemos notar, através do filme, que as pessoas mesmo em estado de amnésia após uma sessão de lavagem cerebral, ainda assim são atraídas para as mesmas pessoas e pelo que elas subitamente despertam em nós.


Nosso brilho pessoal que muitas vezes fica soterrado em nosso íntimo por inúmeras razões. E é necessário o outro para despertar aquela tal recordação do que aconteceu, seja na realidade, ou apenas dentro de nós.

Elenco com personagens lúdicos e tão antagonistas entre eles mesmos. Ela, Clementine, tão impulsiva que expressa sua personalidade através das suas múltiplas cores de cabelo, cheia de iniciativas buscando a paz de espírito em seu dia a dia. Enquanto ele, Joel, tão calado, aparentando um semblante sério, um homem sujeito à mesmice que escreve num diário o que gostaria de ter feito 24 horas atrás. E mesmo assim, tão contraditórios, se apaixonam, se dão bem. Entregam um ao outro o que tem de melhor: suas diferenças. E aí nasce um encaixe perfeito.


Mas parece, que ao passar do tempo, algo intacto fica inacabado. E é certo afirmar que pra estar com Clementine, Joel teve que se adaptar a suas repentinas formas de agir impulsivamente. E como o personagem Joel é um tanto recatado, com alguns fantasmas de relacionamentos anteriores, conseguiu lidar com isso, da sua forma, mas conseguiu. Até que alguém consegue borrar emoções que estavam fixas na memória. Mas mesmo assim, depois de diversas vezes ela ter agido como o homem da história, cheia de atitudes e idéias. Ele, enfim, age certo, conforme exige os padrões da sociedade.


Jim Carrey em sua forma Joel, tenta impedir tal desastre: o fim de um romance que talvez tenha sido a mais linda história moldada em sua vida... Encontra-se no fundo do poço, confusões transbordam e o empurra a fazer manobras para voltar onde estava: junto com sua misericordiosa Clementine, felizes.


Uma história sem início, meio e fim. É através do seu próprio ângulo que se pode ter a real finalização do filme, o que muda e o torna único para cada um. Pois todos nós temos a nossa forma de entender, de pensar. E isso exige um tanto da nossa criatividade, o que estimula a querer assistir de novo e de novo.

"Felizes são os esquecidos, pois eles tiram o melhor proveito dos seus equívocos."

sexta-feira, 25 de janeiro de 2013

domingo, 6 de janeiro de 2013

A sublime ausência de respostas

Eu acredito que tanto a oferecer que o que era pra ser, acabou inundando-o e causando uma tempestade da qual o levou pra maré o que tínhamos. Acho que você se cansou de tudo, principalmente das minhas diretas escondidas. Eu, então, estive à tona mediante a um isolamento de partida. Isolei-me. E eu sei o quanto isso foi desnecessário. Mas o ser humano sempre cria essa necessidade de precisar do outro. Insiste na ideia que nunca existiu, e se apaixona por aquilo que não pode ter. Ou se tem e não da maneira suficiente, completa. O que causou isso, foram os mistérios. Mistérios duplos sentidos que você me fez criar. Claro que foi minha mente quem propagou uma diversidade de utopias, e então uma delas eu abracei. E justamente aquela em que o “se” castiga por dentro. Fazendo-nos questionar do 'por quê' de tudo.

B. M.

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Imagem Desfocada

“Quando a imagem fica assim, se torna em uma imagem da memória. Borrões, desfoques… Somente a lembrança do que foi, como foi e do que foi dito. Tornando ainda mais memorável, por somente nós ter presenciado à cores e vida os traços verdadeiros.”

B. M.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Nômade

Nômade. Um adjetivo perfeito. Mas antes, uma definição inválida. Ainda assim, isso é tão monótono pra mim, no ângulo externo temos a visão alheia, que além de ver, julga. Às vezes isso transtorna, como qualquer meio termo. Esse tolo jeito de estar se adaptando ao confuso. Esse modo ausente de certezas. Quero eu mudar, estou eu mudando. E tudo isso ou nada disso, sem fórmulas. A única coisa é contrária à decência. Digo “coisa” por quê não sei distinguir.

 — Br, M.

A terminar

"Você continuou içado por alguns segundos no mesmo lugar e nossos olhos abismados não se desviavam um do outro. Você tinha um mundo novo que se oferecia por inteiro e me encarava como se nossos olhos estivessem ligados por um fio invisível. E aquilo durou instantes. Mas o bastante para se tornar em uma marca lembrança. E hoje ainda a tenho. Como um vídeo antigo que se passa em movimento numa tela de cinema dos anos 80. E presumo que essa passagem memórica seja mais que isso... É uma ventania forte que me leva pra contra-mão. Com retóricas perguntas que não tenho respostas. Mas que há pistas delas no ar, inspirando-me. Mas intermináveis,  e perdidas. Resolução distinta de respostas sobre proteção de um bando que viaja pelo céu. E a minha vista é distante, os pássaros estão tão altos."

Português

"Essa matéria me lembra alguém. Me refiro de uma verdadeira instrutora. Ela foi minha professora, e sem dúvida a melhor que tive. Embora não ter tido as melhores notas com ela, eu sei o quanto aprendi em suas aulas. E a admiro muito, e nunca vou deixar o passado retardar isso, pelo contrário. Quero lembrar sempre, e quando necessário irei exemplificá-la e dizer como era sua maneira de trabalhar. Sinônimo de arte bem elaborada, e detalhadamente bem pensada. Eu digo isso não por que sou puxa saco. Muito pelo contrário, nem intimas ficamos. É que essa profissional foi mais que uma profissional. Ela conseguiu provocar em mim um equilíbrio de idéias. Eu acreditava fielmente que professor fazia o que gostava mas não da maneira que queria. Acreditava na ideia de que estes imperantes tinham que guardar a ignorância num lugar oculto, e mesmo recebendo mixaria, deixava por isso isso mesmo. E que a hipocrisia de alunos é só um detalhe da rotina. Pensava que faziam greves simplesmente para entrarem na turma dos "justiceiros". Mas descobri a verdadeira face, o que estava escondida por trás de máscaras que desenhava uma silhueta falsa. Ela conseguiu mudar este sendo tão comum. E junto provocar uma erupção vulcânica, no sentido figura de linguagem, onde tudo isso não passou de vapores e cinzas. Porque a camada de aluviões auríferas, diamantinas e de lava ganhou mais espaço. Ela mostrou pra uma criança que ser professor é sim gratificante, só que depende da sua labuta e da suas opiniões. É exatamente como Henry Beecher diz: "O trabalho não é uma maldição, mas a labuta é." Cândida, ser que tem o olhar longe. Que abre a boca pra falar mesmo. Que tem o tempo em suas mãos. Pontual, elegante e extremamente qualificada pra lhe dar com esse mundo escolar, que neste século exige muito."

 — Bruna Maine