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Resenha: Um filme que instiga você a se perguntar se é o roteiro que tem a pretensão de confundir, ou se é você quem está confundindo. E como toda duvida, a história nos embala em uma ansiosa resposta. Levando-nos a acompanhar até o final com os olhos vidrados. E assim como todos os livros e filmes, Eternal Sunshine of the Spotless Mind de Charles Kaufman, não deixou a desejar e venceu o Oscar em 2005. Por sua interação com o telespectador em fazê-lo unir as cenas do filme com as suas próprias lembranças e notar o quanto isso é valioso. E eu confesso que fui vitima.
É uma interessante psicológica maneira de nos fazer apreciar a importância de nossa memória, ela, a nossa identidade. Mas também cutuca essa possibilidade de softwares poderem apagar algo que não gostaríamos de ter na mente. E podemos notar, através do filme, que as pessoas mesmo em estado de amnésia após uma sessão de lavagem cerebral, ainda assim são atraídas para as mesmas pessoas e pelo que elas subitamente despertam em nós.
Nosso brilho pessoal que muitas vezes fica soterrado em nosso íntimo por inúmeras razões. E é necessário o outro para despertar aquela tal recordação do que aconteceu, seja na realidade, ou apenas dentro de nós.
Elenco com personagens lúdicos e tão antagonistas entre eles mesmos. Ela, Clementine, tão impulsiva que expressa sua personalidade através das suas múltiplas cores de cabelo, cheia de iniciativas buscando a paz de espírito em seu dia a dia. Enquanto ele, Joel, tão calado, aparentando um semblante sério, um homem sujeito à mesmice que escreve num diário o que gostaria de ter feito 24 horas atrás. E mesmo assim, tão contraditórios, se apaixonam, se dão bem. Entregam um ao outro o que tem de melhor: suas diferenças. E aí nasce um encaixe perfeito.
Mas parece, que ao passar do tempo, algo intacto fica inacabado. E é certo afirmar que pra estar com Clementine, Joel teve que se adaptar a suas repentinas formas de agir impulsivamente. E como o personagem Joel é um tanto recatado, com alguns fantasmas de relacionamentos anteriores, conseguiu lidar com isso, da sua forma, mas conseguiu. Até que alguém consegue borrar emoções que estavam fixas na memória. Mas mesmo assim, depois de diversas vezes ela ter agido como o homem da história, cheia de atitudes e idéias. Ele, enfim, age certo, conforme exige os padrões da sociedade.
Jim Carrey em sua forma Joel, tenta impedir tal desastre: o fim de um romance que talvez tenha sido a mais linda história moldada em sua vida... Encontra-se no fundo do poço, confusões transbordam e o empurra a fazer manobras para voltar onde estava: junto com sua misericordiosa Clementine, felizes.
Uma história sem início, meio e fim. É através do seu próprio ângulo que se pode ter a real finalização do filme, o que muda e o torna único para cada um. Pois todos nós temos a nossa forma de entender, de pensar. E isso exige um tanto da nossa criatividade, o que estimula a querer assistir de novo e de novo.
